
A segunda edição da manifestação intitulada ‘Ou a Dilma cai ou São
Paulo vai parar’ foi mais do mesmo. Com o intermitente grito de “Fora
PT, fora PT!”, há que se perguntar: fora como?
Abordo uma manifestante que não quer se identificar: A senhora deseja
que o PT saia, e por quais meios acredita serem adequados de se
realizar isso? “O PT tem que cair fora de qualquer jeito. Não tem como
esse partido que só rouba ficar na política. E o Lula precisa ser preso o
quanto antes. Ele é um ladrão, tem que ser preso porque está querendo
afundar o Brasil junto com Hugo Chavez. Por ele ter contato com os
outros de outros países, ele é um traidor. Então ele tem que ser o
primeiro e depois vai a cambada toda porque daí vamos saber tudo o que
estão fazendo. E então começar o país do zero.” Entendeu? Nem eu.
A marcha saiu do MASP e desceu a avenida Brigadeiro até o centro. Se
havia cerca de 10 mil pessoas na largada, quando o passeio deixou a
Paulista muitos debandaram (como vão de carro, não querem se afastar
muito do ponto inicial). A chegada ao viaduto Maria Paula já não tinha
uma quarta parte da quantidade de pessoas.
Durante todo o caminho, moradores de prédios que saiam às janelas
trajando roupas vermelhas eram imediatamente xingados de modo visceral:
“ladrão”, filha da puta”, “vai tomar no cu”. Senhores, senhoras e
crianças bem vestidos bradando um coro chulo, com os dedos do meio em
riste. Muitos com narizes de palhaço. Por que o adereço? Sentem-se
feitos de palhaço por qual motivo?
No caminhão de som, alguém pega o microfone e faz um discurso
inflamado que dá uma pista: “Eu tenho ações da Petrobras. As ações
valiam muito, hoje não valem nada.” O raciocínio, pelo visto, é o
seguinte: ele defende o livre mercado desde que seja sempre na relação
ganha-ganha. Ele quer especular mas se as ações caem e ele perde começa a
espumar de raiva. Qual a forma que imagina para se evitar isso? Que o
governo interceda? O que a saída de Dilma tem a ver com isso?
O orgulho de muitos estava estampado no rosto. “Aqui não tem bolsa
difamação, ninguém ganha dinheiro para difamar ninguém. São patriotas.
Aqui sim são trabalhadores, pessoas que gostam do Brasil. Aqui ninguém
ganha lanche do PT para vir fazer protesto”, disse Claudio, sobrenome
não revelado.
Um dia depois de a polícia federal realizar dezenas de prisões de
empreiteiros, membros da sociedade civil e iniciativa privada
participantes do esquema de desvio da Petrobrás, aquelas pessoas não
veem contradição em seus gritos? Afinal, o pau que tanto queriam que
batesse em Francisco começou a bater também em Chico. E agora? Não
existe corrupção sem corruptor e vice-versa. Os filhos, parentes e
amigos daqueles empreiteiros, se estiveram na manifestação anterior,
estariam nessa novamente? O que se vê nessas manifestações é um desfile
de fantasias, roupas de grife, cachorrinhos bem tratados em pet-shop,
infinitas selfies tiradas com celular e os cartazes com pedidos tão
genéricos quanto inócuos.
É um tal de ‘essa roubalheira’, ‘Lula cachaceiro’, ‘fora PT’, ‘vai
pra Cuba’ mas uma resposta objetiva não há. Até Lobão declinou. Dizer
mais o quê?
Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/tirar-o-pt-e-fazer-o-que-nosso-reporter-na-segunda-manifestacao-pelo-impeachment-de-dilma/